
Ao fim de 17 anos a Porsche voltou a ganhar as 24h de Le Mans na categoria principal, pondo fim à hegemonia da Audi que tinha conquistado a prova nos últimos cinco anos. Quanto às marcas nipónicas a prova foi para esquecer. A Toyota, que já conta com alguns anos de exeperiência, foi completamente arrasada pelos alemães. Quanto à Nissan fez a sua estreia na categoria máxima com um resultado completamente frustrante muito abaixo do expectável, mostrando a falta de rodagem do modelo.
Pode-se dizer que a prova este ano foi aborrecida. Porquê? Desde a partida que a Porsche dominou a corrida sem ser incomodada. Como é sabido Audi e Porsche fazem parte do mesmo grupo automóvel - a Volkswagen. A Audi já conta com muita experiência nesta prova depois de ter ganho as últimas cinco edições. Por isso não é de estranhar que possa ter existido algum "relaxamento" da Audi este ano. A vitória da Porsche é uma forma de fortalecer as marcas alemãs como um todo, relegando para segundo plano os rivais japoneses. Foi a vitória da Porsche ou do grupo Volkswagen? Quem sabe se o Toyota tivesse andado no primeiro lugar talvez a Audi teria arriscado mais?
A Porsche investiu imenso capital neste projecto e o retorno desportivo é importante. A vitória nesta prova é sinónimo de prestígio e uma jogada de marketing que potencia vendas. Ganha no final o ... grupo Volkswagen. Não houve muita emoção na prova. Desde o início que os Toyota mostraram que não estavam à altura do andamento dos carros alemães ficando logo para trás. O facto de terem acabado com muitas voltas de atraso mostra o domínio dos alemães.
Os "protótipos" da Nissan - GT-R LM Nismo - estrearam-se na categoria LMP1 com algumas inovações técnicas como a tracção às rodas frontais, mas mostraram ser um rotundo fracasso, sendo ultrapassados por muitos concorrentes de categorias inferiores. A ausência de um sistema híbrido eficaz retirou potência aos Nissan. Para além disso a tracção dianteira colocou algum stress nos travões da frente.
Os Nissans mostraram ser 20 segundo mais lentos que os concorrentes directos. Também tiveram problemas mecânicos. O Nissan número 21 perdeu o pneu traseiro durante a noite. O Nissan número 23 parou quando faltava uma hora para o final. A marca japonesa terá de rodar muito para tornar-se competitiva em pista.
O Porsche 919 híbrido com o número 19 de Nico Hülkenberg, Earl Bamber, e Nick Tandy foi o vencedor final. Outro Porsche com o número 17 alcançou o segundo lugar com uma volta de atraso. No terceiro lugar ficou o Audi R18 com o número 7. A Audi enfrentou alguns problemas de fiabilidade mecânica este ano.
Na categoria GTE Pro a prova foi ganha pelo Corvette. Na categoria GTE Amateur a equipa que integra o piloto português Pedro Lamy esteve a um passo de ganhar a corrida. O Aston Martin liderava a prova com algumas voltas de avanço mas nos últimos 45 minutos despistou-se. Não era Lamy que seguia ao volante do carro inglês. Mais uma vez a Aston Martin continua afastada dos títulos. Venceu um Ferrari enquanto que no segundo lugar colocou-se o Porsche 911 RSR da equipa do ex-actor americano Patrick Dempsey Racing.
Tanto as vitórias da Audi no passado como da Porsche este ano são importantes para as marcas e para o grupo onde estão inseridas. Ambos competiram com modelos híbridos que aliam propulsores eléctricos a motores de combustão de cilindrada inferior ao que era usado recentemente. É um feito que ajuda a diminuir as emissões e os consumos. Ora estes conhecimentos técnicos usados no desporto de alta competição, onde a resistência e fiabilidade são importantes para o sucesso, usualmente são depois transpostos para veículos comerciais.
No entanto ao contrário do que se passa nas 24H de Le Mans, onde os alemães têm dominado nos últimos seis anos com modelos híbridos, as marcas japonesas estão bastante mais avançadas na tecnologia híbrida aplicada em modelos comerciais com veículos mais rodados e acessíveis. O Toyota Prius foi o primeiro híbrido a ser produzido em larga escala no mercado tendo sido lançado há já muitos anos, mas a marca nipónica não tem conseguido transformar toda a sua experiência acumulada em vitórias na prova raínha de resistência.








Sem comentários: