
O esquema usado pela Volkswagen para ultrapassar os testes de controlo de poluição nos EUA, mais concretamente em viaturas a diesel, pode vir a custar muito caro ao grupo. Por enquanto os EUA totalizam já 482 mil viaturas das marcas Volkswagen e Audi, e também já se fala que outras marcas do grupo, como a Seat, também terão sido afectadas pelo esquema. Mas outras marcas alemãs fora do grupo VW poderão ter recorrido ao mesmo esquema. A imprensa avança que em todo o mundo o número pode ascender a 11 milhões de unidades.
Recentemente marcas japonesas tiveram de chamar à oficina modelos com potencial avaria em airbags ou travões, por precaução. Também a GM teve de enfrentar problemas na ignição de viaturas que causaram a morte a muitas pessoas. No entanto trataram-se de defeitos de fabrico e nunca manipulações. A Toyota teve capacidade financeira para pagar as reparações sem cobrar nada aos seus proprietários. Resta saber se a VW fará o mesmo. Caso a marca germânica opte por cobrar custos aos condutores então a confiança do mercado na marca corre o risco de ruir por completo. E na indústria automóvel a confiança é algo que demora muito a construir. A VW garante que na Europa os veículos cumprem a nova norma Euro 6. Será mesmo?
Chamar à oficina 11 milhões de viaturas é um encargo bastante significativo. E a questão é mesmo esta: não se sabe se basta retirar o software malicioso ou se implicará alterações na mecânica. A multa a pagar nos EUA e as reparações a efectuar nas viaturas poderão custar qualquer coisa como 16 mil milhões de euros ao grupo alemão. O investimento futuro na fábrica portuguesa Autoeuropa poderá sofrer ajustes devido ao impacto da casa mãe.
A Volkswagen vai publicar uma lista com os veículos do grupo Volkswagen afetados pela manipulação de gases poluentes com motores TDI Type EA 189. São motores diesel com cilindrada de 1.6L ou 2L. Por exemplo, o Golf, Jetta, Passat ou Beetle, e ainda o A1, A3, A4 e A6. Para além disso existe o risco de o imposto de circulação (IUC) e o imposto sobre veículos (ISV) para estes modelos poderem sofrer uma subida uma vez que poluem mais do que o previsto.
Vai o governo português exigir uma indemnização à Alemanha?
Coincidência ou não, o novo Passat foi apresentado nos EUA quase na mesma altura do escândalo e curioso também que é precisamente a viatura oficial do primeiro ministro português. A frota do governo PSD mas também PS é constituída por alguns veículos do grupo alemão. Já a nova frota da GNR é constituída maioritariamente por veículos fornecidos pela SIVA. O que terá motivado esta fraude nos alemães? Ora a resposta pode estar no facto de o grupo VW ter chegado ao topo das vendas a nível mundial. No entanto a ânsia de alcançar o pódio pode ter levado a este esquema. O problema da poluição em veículos a diesel não é tanto o CO2 - um gás menos letal que outros - mas antes as partículas finas e os gases venenosos (como o óxido de azoto) que são emitidos pelos escapes, prejudiciais para os pulmões humanos.








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