Renault Espace V (2015)



A nova geração do Renault Espace procura fugir à imagem de um monovolume enfadonho para passar mais a sensação de um crossover robusto, um tipo de veículo muito na moda. Aliás os monovolumes parecem estar a perder fôlego no mercado automóvel, ao contrário dos SUV's e crossovers. Os pneus altos e a altura ao solo aumentada, bem como o perfil mais esguio dão mais elegância e robustez ao Espace.

Um crossover ou um monovolume? É antes uma mistura dos dois conceitos que dá ao Espace uma presença mais marcante do que nunca. A evolução estética e formal do Espace é bastante significativa com linhas mais fluídas e elegantes. A Renault procurou dar mais ênfase ao design, ao detalhe e ao prazer de condução. Aliás a Renault está a registar uma melhoria significativa no design dos seus produtos. Pode-se dizer que o resultado final é bastante positivo.

Visto tratar-se de um modelo importante para a marca francesa e que comemora os seus 30 anos de existência, é relevante e perspicaz a adaptação ao espírito do tempo. Mas será que o com esta alteração o Espace perdeu espaço no interior? Tem 4,85m de comprimento, 1.87m de largura e 1,68m de altura. Ou seja é mais baixo 63mm do que a geração anterior. No entanto o espaço interior cresceu graças a um maior afastamento entre os eixos. A quinta geração do Espace conta com duas versões: uma de cinco e outra de sete lugares, mas ambas têm um interior engenhoso e modular adaptável a várias situações de uso.



As linhas elegantes dão a sensação de maior harmonia ao conjunto. Mas não é só a estética que foi revista. A aerodinâmica também teve um papel importante no desenho do Espace e contribui para a redução final dos consumos que é de 20%. O centro de gravidade está mais baixo. Tudo com o objectivo primordial de tornar a condução do Espace mais divertida. Na frente a grelha orgânica de moldura inferior cromada é inspirada no Capture. As ópticas possuem iluminação diurna e nocturna integralmente em leds em todas as versões.

Estas luzes incorporam tecnologia led que são mais compactas, eficientes e precisas. Têm uma intensidade de luz que é 20% mais forte do que o halogénio. As ópticas também têm no interior acabamentos cromados para se fundirem com os frisos da grelha. Num nível inferior existe uma entrada de ar adicional completada por faróis de nevoeiro integrados numa moldura em formato de folha. O recorte do capôt junto às cavas frontais remata na ponta do envidraçado e segue a linha do farolim.

Todo o envidraçado lateral, também com desenho em forma de folha, é emoldurado por uma tira cromada que dá distinção ao Espace. A grande inovação em termos de design é mesmo o remate lateral da superfície de vidro junto ao pilar traseiro e ao óculo traseiro em forma de bico, um desenho que não é muito consensual e retira alguma visibilidade atrás. Tem a virtude de quebrar convenções. Os espelhos retrovisores exteriores são adoçados à base de moldura cromada do envidraçado.



As portas evidenciam superfícies com baixos relevos suaves perceptíveis consoante a incidência do ângulo da luz. As cavas das rodas são facetadas mas, ao contrário dos crossovers, não possuem protecção em plástico negro. Apenas a base da carroçaria recebe a dita protecção. É que o Espace procura aqui e ali disfarçar-se de crossover mas é mais um veículo de estrada destinado a viagens longas e não a aventuras fora do asfalto. As rodas robustas com umas imponentes jantes de liga leve de 19'' transmitem robustez. Em opção existem jantes de 20''.

Atrás o desenho das ópticas com interior 3D assumem formato vertical se visto de perfil mas vistos de trás têm uma linha inferior horizontal. Também aqui a iluminação é feita com tecnologia leds. O duplo escape com ponteira cromada em forma de folha são embutidos na boca inferior de plástico negro onde também se localizam reflectores. A carroçaria está disponível em nove cores diferentes com destaque para o acabamento metalizado, mais duradouro. Um pormenor curioso: o novo Espace não tem antena visível no exterior já que está oculta.

O interior está bastante melhor no que diz respeito ao design e à qualidade dos materiais. Existirão três tipos de ambientes - Life, Zen e Intense - e poderão ser combinados vários níveis de equipamento. A consola e o painel têm um aspecto mais high-tech. As molduras de vários elementos em cromado satinado dão mais requinte. Só é um pouco discutível a ideia de fazer sobressair o volume da consola central em relação ao tabelier. No entanto o desenho simples, limpo e sem botões espalhados pelo tabelier é uma mais valia.



As funções ficam todas concentradas na consola central e o ecrã táctil infoteinment de formato vertical integra o sistema de navegação R-Link 2 bastante intuitivo. Incorpora uma porta para ligação USB e portas para ligação de cartões SD. Tem muitas zonas de arrumo e algumas soluções bem engenhosas derivadas do Capture. O tejadilho parcialmente em vidro fixo com uma área de 2,8m2 permite uma sensação de espaço única, no entanto refira-se que no Verão pode ser algo incómoda obrigando ao accionamento do ar condicionado e se a carroçaria for negra ainda pior.

A consola central e ainda a iluminação no interior em leds pode assumir várias cores (verde, azul, branco, vermelho, rocho). O painel de bordo também alterna a cor em função do estilo de condução seleccionado (verde, azul, amarelo, vermelho ou rocho). Tem um sistema de head-up display que projecta informação relevante no pára-brisas evitando que o condutor desvie a atenção da estrada.

Os bancos são ergonómicos e podem ser facilmente ajustáveis graças ao accionamento de um botão. Podem recolher uns atrás de outros como peças de dominó para aumentar o espaço de carga. Ou seja já não precisa de fazer uma grande ginástica, basta um pequeno toque mágico que faz desaparecer todos os bancos. A consola central pode memorizar seis modos de posição dos bancos. Destaque também para o sistema audio que tem como opção um inovador pacote da Bose e é bastante bom com qualidade surround sound feito através de 12 colunas que permitem uma experiência única para todos os ocupantes.



A condução do novo Espace é agora mais fácil do que nunca graças à agilidade, dinâmica, tecnologias e performances que oferece. Vários sistemas electrónicos contribuem para a condução intuitiva como por exemplo o Renault Multi-Sense e o chassis 4Control. Mas também há outro segredo: esta quinta geração pesa menos 250kg do que o modelo anterior graças ao uso de materiais como alumínio, noryl e termoplásticos e isso também contribui para a melhoria final.

O Espace é estável e ágil graças à direcção precisa e leve permitindo uma manobrabilidade bastante boa quase fazendo esquecer a dimensão do veículo. Tem vários modos de condução: Eco (para poupar no consumo), Comfort (para oferecer mais conforto), Neutral e Sport (para um estilo mais desportivo). O modo Perso permite personalizar várias características. A suspensão inteligente e eficaz é um seguro para viagens longas sem cansaço. Os bancos podem ter sistema de massagem bastante útil em paragens de percurso.

No que toca a equipamento destaque para o sistema Easy Park Assist que permite o parqueamento automático sem intervenção do condutor em estacionamento paralelo, espinha ou perpendicular, tudo graças a sensores instalados na carroçaria e a uma câmara traseira. Vem também com sistema de auxílio ao arranque em subidas, ignição por botão, alerta de distância de segurança, aviso de excesso de velocidade, sistema de reconhecimento de peões, sistema de alerta em ângulo morto, cruise control adaptativo, sistema de travagem activo em caso de emergência ou ainda o climatizador bi-zona.



Quanto a motores o mais requisitado será o bloco de 1.6L dCi a diesel de 130c. Mas existe ainda o 1.6L dCi a diesel com duplo turbo a debitar 160cv, de inspiração Fórmula 1. A gasolina existe o 1.6L TCe de 200cv auxiliado por turbo. Vêm todos com um eficiente e suave sistema start/stop automático e ainda com sistema de recuperação de energia em desacelerações. A transmissão é automática inteligente EDC (Efficient Dual Clutch) de cinco ou seis relações, ou manual de seis velocidades. O manípulo de mudanças é bastante ergonómico ao estilo do que se usa nos barcos.

Para assegurar que o novo modelo é durável e confortável o novo Espace foi sujeito a testes intensos que cobriram um percurso de 5,5 milhões de kilómetros, 520 horas de "tortura" e ainda 450 horas de testes em climas adversos. O novo Espace é um forte candidato a carro do ano.

Modelos a diesel
Energy 1.6 dCi (130cv): 10,7s; 191km/h; 4,4L/100km; 116g/km; 42.040€
Energy 1.6 dCi (160cv): 9,9s; 202km/h; 4,6L/100km; 120g/km; 44.540€

Prós e contras
+ som do motor, manobrabilidade, conforto, design, ambiente interior, resposta do motor, facilidade de adaptação dos bancos
- visibilidade atrás, consola central de formato algo discutível

1 comentário:

jonas

melhorou bastante o espace, já não é só carrinho de família numerosa

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